VERÃO NA PRAIA QUE CUIDADOS TOMAR

Inserida em: 09/02/2018

 

Nelson Guimarães Proença

Como ocorre todos os anos, neste verão haverá uma corrida em busca dos prazeres oferecidos pela temporada de praia. Neste fim de ano, no Litoral Norte de São Paulo , está sendo aguardada a presença de um milhão de turistas. estarão lotados hotéis e pousadas, casas e apartamentos, na faixa litorânea que se estende de Bertioga a Ubatuba.

Quando retornam as suas cidades de origem, muitos destes turistas precisam procurar o dermatologista, por estarem com algum tipo de problema de pele. Quais são, então, os problemas de pele mais comuns, diagnosticados após o verão?

Em primeiro lugar estão as infecções de pele produzidas por fungos, isto é, as micoses. São comuns as micoses de pés e de virilhas, adquiridas no verão. E isto é favorecido por andar descalço na areia, por permanecer com o calção de banho molhado por várias horas, por freqüentar lugares com muita gente, por permanecer em praias sabidamente contaminadas por águas de canais (verdadeiros esgotos a céu aberto). Tudo isto representa maior exposição aos agentes infectantes, maior risco de adquirir doenças de pele.

As infecções por bactérias não ficam atrás. Elas são causadoras não mais de micoses, mas sim das piodermites. São exemplos de piodermite o impetigo (com suas bolhas e crostas purulentas) e os furúnculos. Os fatores ambientais determinantes são praticamente os mesmos que facilitam as infecções por fungos.

Muitos pacientes, sobretudo crianças, retornam das praias com os conhecidos “olhos-de-peixe” nos pés. Vários contam que pisaram “em-alguma-coisa que espetou o pé”, tendo surgido nesse local este tipo de verruga. Os causadores são vírus que pertencem ao grupo dos HPV (Human Papilloma Vírus).

Fito-foto-dermatite é ocorrência comum, no verão. Muitos já passaram por essa experiência nada agradável. É fito (planta) porque decorre do uso do limão tipo taiti , o mais usado para fazer limonadas e caipirinhas, cujo sumo (ou suco), já seco, fica nas mãos. Havendo, em seguida, a exposição ao sol (foto), mesmo que por um período tão curto como 10 a 15 minutos, o local fica com a pele vermelha e ardente, chegando a formar bolhas. É uma verdadeira queimadura, que melhora após alguns dias e deixa uma mancha escura, que custa a desaparecer. A pessoa que espremeu o limão pode tocar em alguém e esta outra pessoa, que nada tinha a ver com a história, é quem vai aparecer com a dermatite.

Queimaduras solares, tão comuns antes, são hoje bem mais raras. As pessoas aprenderam a usar fotoprotetores. Mas nem todo mundo sabe que fotoprotetor de consistência cremosa (portanto gorduroso) não pode ser usado por quem já tenha pele de natureza oleosa. É o caso de quem tem (ou teve) acne. Nestas pessoas pode surgir uma erupção de pequena “espinhas”, no peito e nas costas. Os europeus chamam esta erupção de “acne de Mallorca”, o nome da ilha onde muitos passam suas férias de verão. Eu prefiro chamá-la de “foliculite das praias” 

Interessante dizer que no caso desta foliculite das praias pode se desenvolver uma levedura (leveduras são tipos de fungos) que se alimenta do material gorduroso presente nas pequenas espinhas. A levedura é do gênero Malassezia, e é importante destacar que ela é também responsável por aquelas manchas esbranquiçadas que rapidamente se espalham pelas costas, pescoço e tórax. Esta micose é chamada pelo médico de pitiríase versicolor, e no Nordeste é chamada de “pano branco”.

E o que falar do “bicho geográfico”, que os médicos chamam de  “larva migratória”? Continua sendo um problema freqüente, causador de terrível incômodo pela coceira, exasperadora, que provoca. As larvas causadoras são eliminadas nas fezes dos cães infestados e permanecem vivas, na areia, por longo tempo. Quando alguém pisa ou deita no areia contaminada, a larva penetra na pele. Não sendo capaz de se aprofundar, ela fica caminhando na epiderme, formando o trajeto todo sinuoso que deu nome à doença.

Há vários outros problemas que poderiam ser postos em destaque. É o caso das “brotoejas” (os médicos preferem chamar de sudamina). Também das alergias a picadas de insetos. Quando estávamos redigindo esta crônica vimos na TV matéria informando sobre a invasão de águas-vivas no litoral de Itanhaem. São muitos os assuntos a tratar, não cabendo falar sobre todos.

Que conselhos podem ser dados? São óbvios. Lavar bem as mãos após ter manipulado o limão taiti. Usar foto-protetor (tipo gel no caso de pele oleosa. Não ficar com calção de banho molhado, por várias horas. Ao caminhar na praia, usar calçados  apropriados, que são simples mas protegem bem os pés. Coibir a ida de cachorros à praia.

 

Ainda é tempo de recordar mais uma coisa. Não ficar com a água salgada na pele, esta se torna muito ressecada. Após o banho-de-mar é preciso uma ducha, mas não se deve usar sabonetes comuns. Usar sempre sabonetes macios, que contenham glicerina.



Palavras-chave: Verão, Praia, Micoses de Pele, Piodermites, Impetigo, Olho de Peixe, Verruga Plantar, Bicho Geográfico, Larva Migratória, Estrongiloides, Pitiríase versicolor, Sudamina.