TRATAMENTO DO HERPES ZOSTER

Inserida em: 29/08/2018

Nelson Guimarães Proença

 

Ao se fazer o diagnóstico clínico de herpes zoster, quanto antes for iniciado o tratamento melhor será o resultado obtido. No caso de haver retardo para o início do tratamento, poderá ocorrer intensa agressão ao nervo periférico comprometido, resultando a “nevrite pós herpética”. Esta nevrite é causa de grande desconforto e sofrimento ao paciente. No século passado, até por volta dos anos setenta, não se dispunha de tratamento efetivo para o herpes zoster, eram muitos os pacientes que evoluíam deste modo desfavorável.

Ao se diagnosticar o herpes zoster estamos diante de um duplo desafio. Primeiro: como conter o vírus agressor. Segundo: como evitar maior dano ao nervo periférico comprometido. Em uma primeira fase do tratamento escolhemos o antiviral e o corticosteroide.

Para conter o agente agressor atualmente dispomos do aciclovir, do valaciclovir, do famciclovir, antivirais efetivamente ativos para o tratamento do Herpesvirus varicellae. Damos preferência ao aciclovir.

Os corticosteroides são extremamente eficazes para evitar um maior dano ao nervo periférico. Nos anos cinquenta e sessenta, do século passado, dispúnhamos apenas da cortisona, da hidrocortisona, da prednisona, da prednisolona. Em virtude da ação imunossupressora desses medicamentos havia justificado temor de que pudessem ocorrer complicações graves. Isto realmente ocorreu, ocasionalmente, e por esta razão muitos autores ainda contraindicam corticosteroides em herpes zoster. A propósito destas complicações fizemos detalhada revisão, em 1979, a qual foi publicada (1). A introdução de novos corticosteroides — em nossa opinião com destaque para a betametasona — permitiu superar o problema de uma eventual supressão imunitária.

Associamos os antivirais e os corticosteroides, desde o início do tratamento, praticamente sem riscos para o paciente. Para relatar nossa experiência pessoal, com esta associação, revisamos 76 pacientes que atendemos, na cidade de Campos do Jordão, no período 2008-2017. Os melhores resultados foram obtidos com a associação aciclovir / betametasona, sendo prescrita do modo que descrevemos a seguir.

Aciclovir foi utilizado na dose diária de 2000 mg, distribuída em tomadas de 400 mg a cada 4 horas. Não houve necessidade do paciente despertar durante a madrugada, sendo portanto de 8 horas o intervalo entre a última tomada (ao deitar) e a primeira tomada (ao despertar). O uso foi por 8 dias, não havendo necessidade de ser estendido. Ao todo, cada paciente recebeu 16000 mg.

A betametasona foi iniciada com uma dose de ataque utilizando produto comercializado (Celestone Soluspan) que contém em cada ampola 3 mg de acetato de betametasona e 3 mg de fosfato dissódico de betametasona. A aplicação intramuscular foi feita imediatamente após após a consulta. Seguiu-se a betametasona por via oral, em comprimidos de 0,5 mg: 3 comprimidos por dia (5 dias), 2 comprimidos por dia (5 dias), 1 comprimido por dia (5 dias). Bastaram apenas 15 dias de tratamento, não houve necessidade de prolongar seu uso.

Foram 23 os pacientes tratados com este esquema, assim distribuídos quanto à idade: até 50 anos, 4 pacientes; entre 51 e 70 anos, 10 pacientes; com 71 ou mais, 9 pacientes. Foram 13 homens e 10 mulheres.

O início da erupção pelo zoster, até a consulta e início do tratamento, foi de até 5 dias em 11 pacientes; de 6 a 10 dias em 7 pacientes; de 11 dias ou mais, em 5 pacientes.

Na primeira consulta foi anotada a intensidade da dor, sendo esta considerada muito intensa (8 pacientes), de média intensidade (9 pacientes), ou pouco intensa (6 pacientes). Destaque-se que quanto maior a idade maior foi a intensidade da dor.

Interessante destacar a localização dos nervos afetados: 

— nervo oftálmico, 7 pacientes;

— nervo intercostal, nervo femural anterior, 3 pacientes cada;

— nervo braquial, nervo ciático, 2 pacientes cada;

— nervo parietal, ramo mandibular do nervo trigêmeo, nervo deltoide, nervo cervical, nervo do flanco, nervo tibial, 1 paciente cada.

 

Ao retornarem após completar as duas semanas de tratamento, os pacientes foram reavaliados, conforme a Tabela seguinte.

 

RESULTADO

15 dias

15 dias

REGULAR (crises dolorosas intensas, porém  menos frequentes)

02

BOM (crises dolorosas esparsas e perfeitamente toleráveis)

08

05

ÓTIMO (sem sintomas)

13

18

 

Em todos os pacientes foi realizada uma segunda fase do tratamento, tendo agora por objetivo proporcionar uma melhor recuperação do nervo atingido. Com este objetivo utilizamos a Vitamina B1 (1 drágea de 300 mg após o almoço, 30 dias) associada à Vitamina B12 (1 ampola de 5000 mcg intramuscular a cada 5 dias, total de 3 ampolas). Esta complementação terapêutica com vitaminas antinevríticas foi satisfatória, houve melhora dos casos que ainda referiam dor ou desconforto.


Palavras-chave: Herpes zoster.