SARCOIDOSE VALORIZAÇÃO DO ANTÍGENO DE KVEIM

Inserida em: 08/02/2018

2012 – 67º. CONGRESSO SBD (*)


VALORIZAÇÃO DO ANTÍGENO DE KVEIM PREPARADO A PARTIR DE LINFONODOS

 

Nelson Guimarães Proença

 

A experiência pessoal do Autor, no tema sarcoidose, teve início na década dos anos setenta. Em 1977 internamos uma mulher na Santa Casa de São Paulo com diagnóstico de sarcoidose. Apresentava linfonodos volumosos em pescoço, axilas e virilhas. A estrutura histológica destes linfonodos era totalmente constituída por granulomas, com desaparecimento completo do tecido linfóide. Partindo da ideia de que tecidos totalmente substituídos pelos granulomas sarcoídicos (baço, linfonodos) fornecem um bom antígeno, retiramos dois linfonodos grandes e preparamos um antígeno de Kveim.

Com este antígeno foi realizada a intradermo-reação, em 15 pacientes com diagnóstico de sarcoidose e em 19 casos-controle. Em 11 pacientes com sarcoidose, sem tratamento, tivemos 91.6% de reações positivas (10 / 11). Em 4 pacientes já tratados e em remissão tivemos apenas 25.0% de positividade (1 / 4). Nos 19 controles o teste foi negativo. Os resultados comprovaram que o antígeno produzido apresentava sensibilidade e especificidade (1).

A partir da publicação desse trabalho passamos a receber pacientes com suspeita de sarcoidose, ou com este diagnóstico já estabelecido, para realização da Reação de Kveim. Estes pacientes foram encaminhados tanto por hospitais públicos como por laboratórios privados. Reunimos importante casuística, o que nos permitiu caracterizar a doença, em São Paulo (2). Foram32 pacientes com sarcoidose cutâneo-sistêmica, comparados com 50 controles. Resultado da Reação de Kveim: em 27 pacientes com sarcoidose comprovada e sem tratamento, tivemos 85.1% de positividade (22 /  7). Em 5 pacientes tratados e já sem atividade da doença, somente 40,0% positivos  (2 / 5). Entre os controles, tivemos 4.0% de positividade (2 / 50).

Interessante destacar os casos em que havia o diagnóstico de sarcoidose exclusivamente cutânea. Somente 58% de positividade (8 / 14).

Foi possível rever 10 destes pacientes com lesões exclusivamente cutâneas, em período que variou de dois a cinco anos. Em 4/10 o diagnóstico foi retificado: três foram comprovadamente diagnosticados como hanseníase tuberculoide e um como paracoccidioidomicose. Um quinto paciente evoluiu para sarcoidose sistêmica, após três anos. Nos outros cinco pacientes, que haviam sido tratados com corticosteroides — com resolução das lesões — as lesões desapareceram e não mais recidivaram (3).

 

Com base na experiência então adquirida procuramos basear o diagnóstico de sarcoidose levando em conta quatro critérios.

1o.) A doença é sistêmica, com mais de um órgão acometido, a saber, em ordem de frequência: linfonodos, pulmões, fígado, baço, pele, olhos, ossos (pequenos), glândulas salivares;

2O.) A histopatologia mostra sempre o característico granuloma tuberculoide “duro” (dito sarcoídico), qualquer que seja o órgão examinado;

3o.) A intradermorreação à tuberculina é negativa ou, pelo menos, está deprimida;

4o.) A intradermo-reação de Kveim é quase sempre positiva, durante a atividade da doença.

REFERÊNCIAS BIBLIOGERÁFICAS 

1) Reação de Kveim  praticada com antígeno de gânglios sarcoídicos: resultados preliminares. Revta paul Méd vol 9 set/out , 1979.

2) Proença NG — Reação de Kveim praticada com antígeno obtido de linfonodos . Medicina Cutânea I.L.A. 10: 255-260, 1982.

3) Proença NG — Dificuldades para o diagnóstico da sarcoidose exclusivamente cutânea. Rev Ass Méd Brasil vol 30 (mai/jun), 1984.

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(*) Apresentado ao 67o. Congresso Brasileiro de Dermatologia, Rio de Janeiro, 1-4 de setembro de 2012. Nesta apresentação o Autor fez a revisão de seu material clínico-patológico relacionados à sarcoidose cutâneo-sistêmica.






Palavras-chave: Sarcoidose, Reação de Kveim; Sarcoidosis, Kveim test; Sarcoidosis