PSORÍASE NO LACTENTE

Inserida em: 25/11/2016

Nelson Guimarães Proença (*)

O caso que a seguir vamos descrever representou um desafio, este demorou vários anos para ser superado. É um caso muito ilustrativo, que dispensa uma revisão bibliográfica.

Tratava-se de uma lactente de quatro meses, nascida de parto a fórcipe e que está sendo amamentada somente com leite materno. Desenvolve-se normalmente. Aos três meses e meio apareceu vermelhidão da face, de modo súbito, logo a seguir outras lesões apareceram, com menos intensidade, no pescoço, virilhas e nádegas. Nenhuma alteração do estado geral. Na face utilizou creme de cetoconazol, o qual acentuou a vermelhidão, por isto logo suspendeu seu uso (Figura 1).

O diagnóstico inicial foi de dermatite seborreica do lactente e prescrevemos o creme de mometasona.

Fizemos o acompanhamento do lactente, revendo após duas semanas. Constatamos então uma remissão quase completa da dermatite, na face e no pescoço, conforme se vê na Figura 2. Simultaneamente, porém, ocorrera acentuada extensão do quadro cutâneo, agora para o tronco, presentes ainda umas poucas lesões, nos membros superiores. O estado geral sempre se manteve ótimo. O que pensar? O quadro era psoriasiforme, mas poderia ser firmado como psoríase? 

Mais duas semanas se passaram e a criança voltou à consulta. Continuava bem da face e já estava ocorrendo significativa melhora no tronco. Em sentido oposto, haviam surgido lesões nos membros inferiores, sobretudo nas coxas (Figura 3). Ao todo, desde o início do quadro dermatológico já haviam decorrido sete semanas. Nossa proposta foi fazer uma biópsia de pele, mas não houve concordância dos pais. 
Chamava a atenção o fato da lesão aumentar pelas bordas, enquanto o centro entrava em remissão espontânea. No que mais pensar? Continuamos acompanhando a criança. Retornou novamente após duas semanas e, para nossa surpresa, tinha ocorrido remissão quase completa do quadro cutâneo. Permanecia desenhada apenas a rede vascular da pele.  
Aos sete anos de idade voltou para consultar, desta feita por terem surgido lesões no pescoço, três meses antes (Figura 5). Eram placas psoriasiformes. Nas três semanas que se seguiram apareceram também algumas lesões em gotas, esparsas pelo tronco e membros. Foi tratada apenas com corticoide de uso tópico, tendo melhorado completamente.
regressão, é preciso destacar que o corticoide tópico recomendado somente foi usado em algumas lesões, mais eritematosas e mais escamosas.
Mantivemos contato com a família desta criança até que ela completou os quatro anos de idade, durante este período não houve qualquer sintoma cutâneo. Foi somente ao completar sete anos que apareceram novas lesões, foram estas que justificaram nova consulta. Agora sim, o diagnóstico era evidente: psoríase.
(*) Sócio Honorário da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Professor Emérito da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.


Palavras-chave: Psoríase, Dermatite das fraldas, Infância, Lactente. Psoriasis, Napkuin dermatites, Infancy.