ONFALITO UMBELICAL

Inserida em: 08/02/2018

2015 — CEDACLI (*)

“UMA PEDRA UMBILICAL” (*)

Umbilical Omphalith

 

Nelson Guimarães Proença

 

 

Em Dermatologia é sempre interessante a abordagem de patologias regionais, pois há certos aspectos clínicos que são específicos de determinadas regiões. É tradição dos livros de textos mais prestigiados, na especialidade, oferecer capítulos inteiros tendo como foco a região acometida.

Tomemos como exemplo a cicatriz umbilical. Segundo Rook’s (1), as alterações que aí ocorrem podem ser distribuídas em seis categorias:

a) anormalidades congênitas e de desenvolvimento;

b) traumas e artefatos;

c) dermatoses inflamatórias;

d) infecções;

e) tumores originais e metastáticos;

f) miscelânea.

Dentre os “artefatos” está incluída a acumulação de material córneo e sebáceo, constituindo o que a literatura de língua inglesa chama de omphalith, que seria literalmente traduzido como “onfalito”, ou “onfalolito”, uma “pedra umbilical”. Embora o material retido seja compacto e tenha a aparência de ser uma concreção córnea, desfaz-se entre os dedos, pois predomina o componente sebáceo. O onfalito tem o mesmo significado do comedão, a composição de ambos é exatamente a mesma, sendo o onfalito um comedão “gigante”, em consequência de ocupar uma cavidade bastante maior do que a existente no folículo pilossebáceo. 

Nossa casuística é composta de três mulheres (idades: 64, 55, 68 anos) e dois homens (idades: 75, 67  anos), todos de raça branca e, surpreendentemente, de bom nível intelectual e econômico-social. Em todos podia ser avistada apenas a extremidade do material retido, ocupando a cavidade umbilical, e a impressão era de uma pequena pedra aí contida. A extração sempre foi extremamente fácil, não causando qualquer sensação dolorosa. Ficava então evidente que o paciente tivera dificuldade para fazer a higiene adequada da região umbilical. Por que assim procedia?

No primeiro caso havia ocorrido uma forte pancada no abdome, três meses antes, ocasionando uma contusão dolorosa, daí a paciente ter evitado manipular a região umbilical. O segundo caso fora submetido a cirurgia abdominal, meses antes, também temia manipular a região em foco, durante o banho. Nos outros três pacientes, sem que houvesse motivo, estava sendo negligenciada a higiene da cicatriz umbilical.

 No momento do exame clínico percebeu-se que todos ficaram retraídos, temerosos de ver tocada a região umbilical, ao se praticar o simples e indolor ato de extração. Todos os pacientes informaram que, ao praticar a higiene corporal, evitavam lavar o interior da cavidade umbilical! Tinham temor de manipular esta região. 

Um dado anatômico interessante e que merece ser destacado é que, em todos os pacientes, havia uma desproporção entre o óstio umbilical, algo angustiado, em relação à cavidade umbilical subjacente.

(1) Rook’s Textbook of Dermatology, 2010, Cap 71, pag 100-102.

 

(*) Apresentado na Reunião Anual do Centro de Estudos Dermatológicos Adolpho Carlos Lindenberg, CEDACLI, Santa Casa de São Paulo, 2015.


 








Palavras-chave: ONFALITO UMBELICAL, Umbigo; Cicatriz Umbelical; Onfalolito; Corneolito Umbelical, Umbilical Scar; Omphalyte.