NEVO MELANOCÍTICO INTRADÉRMICO. DIVULSÃO COM CURETA. MÉTODO SIMPLES E ESTETICAMENTE ACEITÁVEL

Inserida em: 08/02/2018

2008 — 20º. CONGRESSO DA SBCD (*)

 

Nelson Guimarães Proença

Nevos melanocíticos intradérmicos representam uma das mais comuns manifestações dermatológicas que motivam consultas. Por vezes ocorrem em pequeno número, mas frequentemente são múltiplos. São absolutamente benignos, a não ser no caso em que a histopatologia mostra, simultaneamente, componente intradérmico e juncional, sendo então denominados nevos compostos. Nesta eventualidade, há possibilidade (rara) de ocorrer uma evolução para melanoma, a partir do componente juncional. Em verdade esta é uma possibilidade mais teórica do que prática.

Não obstante a benignidade dos nevos intradérmicos é motivo de consulta, manifestando os pacientes o desejo de que sejam removidos. No passado eu procurava dissuadir pacientes de realizar tal cirurgia, mas era muito comum que eles procurassem outro profissional, que atendia a esse desejo. A razão dos pacientes insistirem é sempre de ordem estética, pois estas “verrugas salientes” diminuem sua autoestima. Há muitos anos a minha conduta era a de dar ênfase à benignidade destes nevos, propondo sua manutenção. Mas, havendo insistência por parte do paciente, passei a proceder a sua retirada.

A questão passa a ser qual a escolha da melhor técnica para realizar o procedimento cirúrgico, visando deixar uma cicatriz aceitável. Tenho observado que a maioria dos profissionais faz a retirada em fuso, reparando com pontos separados ou com sutura intradérmica. Em ambos os casos as cicatrizes resultantes podem ser insatisfatórias, não raro são mais desagradáveis do que a lesão  névica original.

A técnica que adoto é por mim chamada “divulsão com cureta”. Utilizo uma cureta de janela alta e com diâmetro que permita abranger a lesão que vai ser retirada. Inicialmente utilizo a tesourinha curva para dar pequenos piques, que acompanham o contorno da lesão, somente os necessários para criar um acesso para a clivagem, até completar a circunferência. A seguir encaixo a cureta no nevo para fazer o descolamento, acompanhando o plano de clivagem. Nada é seccionado, tudo é apenas separado do leito por divulsão com a cureta.

Criado o plano de clivagem fazemos a movimentação da cureta, em quadrantes, descolando progressivamente o nevo, com economia do colágeno dérmico. Ao completar a divulsão, levanta-se o nevo, percebendo-se que ele tem um delicado pedículo vascular. Este é seccionado, completando-se a retirada da lesão. Para obter uma boa hemostasia, basta fazer a compressão com uma pequena bolinha de algodão, recobrindo com micropore. Uma segunda bolinha de algodão e um segundo micropore, colocados sobre o primeiro curativo protetor, garantem uma hemostasia perfeita.

O curativo é retirado após 24 horas e não há necessidade de fazer curativos adicionais. Deixa-se a lesão exposta ao ar, formando-se uma crosta e ocorrendo a cicatrização por segunda intenção.

O resultado estético é bom, a cicatriz resultante é circular, discreta, do mesmo diâmetro da lesão retirada. Com esta técnica já tratamos centenas de pacientes, havendo satisfação dos mesmos pelo resultado alcançado.

Em tempo. Durante o período de cicatrização, por segunda intenção, há prurido e desejo de coçar ou, pelo menos, de friccionar. Isto pode levar à formação de queloide. É preciso que o paciente seja advertido para que evite a coçadura, pois o resultado estético pode ficar comprometido.

 (*) Apresentação feita no XX Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica, 2008.







Palavras-chave: Nevo melanocitico intradérmico; Naevus melanocytic intradermal; Naevus naevo-cellularis\r\n