GENITALIA EXTERNA MASCULINA - ALTERAÇÕES CUTÂNEAS

Inserida em: 25/05/2019

DERMATOLOGIA BASEADA EM EXPERIÊNCIA

2011 — CARTA AO EDITOR — Anais  Brasileiros de Dermatologia 

GENITALIA EXTERNA MASCULINA - ALTERAÇÕES CUTÂNEAS

 

Nelson Guimarães Proença  (*)

Lauro Rodolpho Soares Lopes (**)

Rutsnei Schmitz Jr.(**)

 

 

 

Os Anais Brasileiros de Dermatologia publicaram trabalho, de nossa autoria, no qual registramos a observação de dois pacientes com acantoma epidermolítico da região escrotal (Proença NG e Michalany N – Acantoma epidermolítico da região escrotal. An Bras Dermatol 2006, 81 (Supl 3) : S270 – S272). Ao comentarmos estes casos, destacamos a pouca freqüencia de relatos já registrados na literatura médica. Salientamos então a possibilidade da afecção estar sendo subdiagnosticada, talvez pelo fato dos especialistas, tanto dermatologistas como urologistas, não estarem atentos para sua  possível ocorrência.

Na conclusão daquela comunicação, informamos sobre nossa intenção de conduzir um estudo prospectivo para avaliar qual seria a possível ocorrência do acantoma epidermolítico da região escrotal, em nosso meio. Com esse objetivo, organizamos protocolo e programamos o exame metódico dos pacientes do sexo masculino que procuraram o Ambulatório da Clínica de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo.

O protocolo foi aprovado pela Comissão de Ética e submetido ao consentimento de 385 homens, consecutivamente matriculados no Ambulatório. A região genital foi examinada, com esse objetivo, independente da queixa que havia motivado a consulta à Dermatologia. Além de buscar a informação desejada, foram anotados os seguintes achados, merecedores de registro : angioqueratoma tipo Fordyce, hirsuta corona penis, lupia escrotal e mancha melânica da glande.

Nenhum caso de acantoma epidermolítico foi detectado na região genital, na coorte examinada. Quanto a outros aspectos dermatológicos observados nos 385 pacientes, registramos angioqueratoma escrotal tipo Fordyce em 20 (5,19%), hirsuta corona pênis em 10 (2,59%), lupia escrotal em 9 (2,33%) e mancha melânica de glande em 2 (0,51%)  (Tabela) .

A aplicação do presente protocolo permitiu concluir que é realmente rara a ocorrência do acantoma epidermolítico de localização escrotal.

 

 

Faixa Etária

No. de Pacientes

30-39 anos

110

40-49 anos 86

50-59 anos 77

Acima de 60 113

Total

385

Angiokeratoma typus Fordyce

3(2,72%)

3(3,48%)

2(2,59%)

12(10,61%)

20(5,19%)

Hirsuta corona pênis

6(5,45%)

1(1,62%)

0

0

7(2,59%)

 

Lupia

2(1,81%)

3(3,48%)

1(1.29%)

 

3(2,65%)

9(2,33%)

Glande: mancha melânica

1(0,90%)

1(1,62%)

0

0

2(0,51%)

 

 

 

(1) – Proença NG e Michalany N – Acantoma epidermolítico da região escrotal. An Bras Dermatol 2006, 81 (Supl 3) : S270 – S272.

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Trabalho realizado no Ambulatório da Clínica de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo

(*) Professor Emérito da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

(**) Estagiários do Curso de Especialização em Dermatologia



Palavras-chave: Genitalia Masculina; Male Genitália.