ESCLERODERMIA EM PLACAS TRATADA COM A ASSOCIAÇÃO DE ASIATICOSIDE E VITAMINA E

Inserida em: 18/05/2018

Morphoea treated with asiaticoside and E vitamin association

SCLERODERMA CIRCUMSCRIPTA

Nelson Guimarães Proença

Procedemos a uma revisão dos casos de esclerodermia cutânea que tivemos ocasião de examinar, tratar e acompanhar, ao longo de 46 anos, no período 1971-2007.

Os pacientes atendidos na década dos anos sessenta receberam tratamento com vitamina E, conforma havia sido recomendado pelo Professor Ayres Jr, da Califórnia. Os comprimidos utilizados então eram de 100 mg, a dose total diária era de 300 mg. A medicação era utilizada por anos seguidos com resultados razoáveis.

Ao se iniciar a década dos anos oitenta a Professora Jablonska, de Varsóvia, publicou os resultados favoráveis que havia obtido com o emprego de um extrato da planta denominada Centella asiática. A medicação disponível foi denominada madecassol, posteriormente foi identificado o componente responsável pela neoformação do colágeno: o princípio ativo é o asiaticoside. Durante alguns anos passamos a prescrever esta medicação, em casos de esclerodermia cutânea, em dose diária não superior a 30 mg. Os resultados obtidos eram razoáveis, equiparáveis aos que antes eram obtidos com a vitamina E.

Decidimos associar ambas as medicações, utilizando cápsulas de 25 mg de asiaticoside, de 400 mg da vitamina E. Em pacientes adolescentes e adultos a dose total diária ficou entre 50 e 75 mg, para o asiaticoside, e entre 400 e 800 mg, para a vitamina E. Para crianças adaptamos a dose diária e a apresentação farmacêutica, preferindo preparar suspensões.

Os pacientes foram informados que o tratamento era longo, não poderia ser inferior a um ano, podendo se estender por bem mais. Teríamos a vantagem de estar administrando medicação desprovida de efeitos colaterais, daí poder ser um tratamento tão prolongado. Os pacientes que aceitaram esta orientação foram revistos de 6 em 6 meses.

A presente revisão diz respeito apenas às Esclerodermias em Placas. Nossos pacientes foram classificados de acordo com a classificação que consta de trabalho nosso (1), a seguir reproduzida.

 

Quadro I — CLASSIFICAÇÃO DAS ESCLERODERMIAS CUTÂNEAS

(*) Esclerodermia em Gotas 

(*) Esclerodermia em Placas

(*) Esclerodermia Localizada em Placa;

(*) Esclerodermia Regional em Placas;

(*) Esclerodermia Disseminada em Placas.

(*) Esclerodermia em “Golpe de Sabre”

(*) Esclerodermia Profunda

(*) Esclerodermia Profunda Segmentar;

(*) Esclerodermia Panesclerótica da Infância

 

O tratamento programada foi cumprido por 26 pacientes (8 crianças com até 12 anos), sendo 13 na variedade localizada (4 crianças), 12 com a disseminada (3 crianças), apenas 1 com a variedade regional (criança). 

Na forma localizada tivemos 7 ótimos resultados e 6 bons resultados. Na forma disseminada 7 ótimos, 2 bons e 2 fracassos. E a forma regional também teve ótimo resultado.

É importante destacar que excepcionalmente se obtém o restitutio ad integrum. É excepcional que isto ocorro, pois o que avaliamos é a redução da esclerose da pele e o seu pregueamento. Quando a recuperação da placa é obtida, é comum que persistam algumas lesões residuais: uma discromia e uma leve atrofia.

Nas fotos não se pode perceber a redução da esclerose (isto só se sente pelo tato), mas notamos que o eritema da lesão – inclusive o contorno nitidamente eritematoso violáceo (lilac ring) — desaparece por completo.

 

(1) Proença NG — Classificação das Esclerodermias (Neste site) 





Palavras-chave: Esclerodermia cutânea tratamento; asiaticoside; vitamina E; Morphoea treatment; asiaticoside; E vitamin; Scleroderma circumscriptum in placibus.\r\n