DERMATÓFITOS CAUSADORES DE MICOSES SUPERFICIAIS EM CAMPOS DO JORDÃO SERRA DA MANTIQUEIRA

Inserida em: 08/02/2018

Nelson Guimarães Proença (*)

Sonia Proença Assumpção (**)

Dermatófitos causadores de micoses superficiais tem sido objeto de observação dos autores, desde longa data. A seu respeito publicamos vários trabalhos, como Autores ou Co-Autores ( 1,2,3,4).

Em um destes trabalhos identificamos em São Paulo, Capital, a predominância do Trichophyton rubrum como principal agente causador da tinea corporis, tanto em culturas feitas com material procedente de um Hospital Geral (HG) como de um Consultório Privado (CP). Os percentuais respectivos foram 51,86% e 70,11% (1). O segundo agente fúngico recuperado foi o Trichophyton mentagrophytes: 14,04% (HG) e 9,80% (CP).

Já no caso particular da Tinea pedis a situação se inverteu: T. mentagrophytes foi o agente patogênico que mais se desenvolveu em material coletado dos pés: 66,83%. Em segundo lugar, o T. rubrum, com 24,47% (4). Ainda em relação à dermatofitose do pé destacamos que há relação entre variedade clínica e agente causador. Nas formas vesiculosas é absoluto o predomínio do T. mentagrophytes enquanto que , nas formas escamosas, predomina o T. rubrum.

Os trabalhos que citamos foram realizados em São Paulo, cidade que se situa no planalto, a 850 metros acima do nível do mar.

A partir do ano 2007 passamos a atender pacientes em consultório privado, em Campos do Jordão, cidade da Serra da Mantiqueira que está 1650 metros acima do nível do mar.

Poderia haver diversidade na composição da flora dermatofítica patogênica, em consequência dessa diferença de altitudes?

Para responder a esta indagação fizemos o levantamento de todos os pacientes que tiveram a suspeita clínica de micose superficial, no período de dez anos: 2007-2016. Em todos os casos suspeitos foi feita a coleta de material, para exame direto e semeadura no meio de agar-Sabouraud. Em 292 pacientes a suspeita clínica foi confirmada, o exame direto das escamas resultou positivo, mas somente em 203  casos as culturas também foram positivas, permitindo a identificação do agente causador (Tabelas 1 e 2). 

Ao analisar estas Tabelas dois dados despertam a atenção.

O primeiro é o absoluto predomínio da Tinea pedis como motivo de consulta:  211/292, ou 72,26%. O segundo é que nestas micoses do pé há predomínio do T mentagrophytes (96/148, ou 64,86%)  sobre o T rubrum (49/148, ou 32,21%).

Tabela 1 — Micoses superficiais na Consulta Dermatológica: Cidade de Campos do Jordão (Estado de São Paulo, Brasil), 2007—2017

Tabela 1

Micológico Direto Positivo

Cultura Positiva

Tinea capitis

004

004

Tinea corporis

048

036

Tinea cruris

029

022

Tinea pedis

211

148

Total

292

208

 

Tabela 2 — Micoses Superficiais e seus agentes causais, Campos do Jordão, Serra da Mantiqueira: 208 culturas positivas (de 292 exames diretos positivos) (*)

 

     M. canis

    T. rubrum

T. mentagrophytes

Total

Tinea capitis

         04

        — 0 —

        — 0 —

        04

Tinea corporis

         04

           19

            10

        33

Tinea cruris

     — 0 —

           16

            05

        21

Tinea pedis

     — 0 —

           49

            96

      145

Total

         08

           84

           111

      203 

(*) Agentes excepcionais: Tinea corporis por Microsporum gypseum, 3 casos; e Tinea pedis por Epidermophyton floccosum, 2 casos.

 

 

CONCLUSÃO

Repete-se na altitude da montanha (Campos do Jordão, 1850 m), o que foi antes observado, no planalto (São Paulo, 850 m).

 

BIBLIOGRAFIA

(1) Proença NG, Masetti JH, Salebian A, Cucé LC – Flora dermatofítica e condições econômico-sociais. An brasil dermatol 1975, 50:183-186.

(2) Proença NG, Assumpção SP, Proença TH – Dermatofitoses na infância. J Ped 1977, 43:101.

(3) Proença NG, Assumpção SP – Dermatofitoses observadas em crianças com 0-12 anos de idade, em São Paulo. Rev Inst Med trop 1979, 21:146-148.

(4) Zaitz C, Proença NG – Estudo epidemiológico da tinha do pé em população estudada na Santa Casa de São Paulo. Med Cut ILA 1989, 17:255-259.

(*) Professor Emérito da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

(**) Bióloga

 




Palavras-chave: Micose; Dermatofitoses; Mycosis; Dermatophytosis. \r\n