ACNE VULGAR E ERUPÇÕES ACNEIFORMES

Inserida em: 07/02/2018

Acne vulgaris and Acneiform eruptions

 

ACNE VULGARIS

 

Nelson Guimarães Proença

De início, uma curiosidade semântica e uma discussão a seu respeito.

É interessante recordar a discussão que foi feita no início do Século XX, sobre a origem etimológica da palavra acne. Todos aceitam que a origem é grega, mas nesta língua clássica o que existe é a palavra ak’me, que significa “o ponto mais alto”. Ao ser introduzido o termo acne na linguagem corrente, não se levou em conta que não existia a palavra ak’ne no grego. Praticou-se então uma corruptela. O fato é que não foi adotada a palavra acme, mas sim a palavra acne.

Acne é habitualmente conceituada como uma patologia estritamente relacionada com a atividade da glândula sebácea da derme. Não é este o meu conceito. Prefiro considerar acne como patologia cutânea relacionada com o conjunto do aparelho pilo-sebáceo, isto é, com o folículo pilo-sebáceo da pele. Na acne há mesmo uma atividade intensa da glândula sebácea, com aumento de sua secreção. Mas para que surja a lesão clínica é preciso que ocorra também algum estreitamento na via de eliminação desta secreção.

No esquema temos uma representação do estreitamento do canal folicular, dificultando a eliminação de seu conteúdo.

A retenção do material oleoso secretado; sua transformação em uma pequena massa sebácea; o acúmulo simultâneo de restos celulares do revestimento interno do folículo. São fatores que contribuem para originar ambiente propício para a colonização bacteriana, é então que se origina a lesão de acne.

As erupções inflamatórias que tem sede no folículo pilo-sebáceo da pele estão agrupadas sob a denominação genérica de acne, mas é necessário complementar o diagnóstico designando qual a variedade que está sendo referida. A mais comum de todas, que surge no início da adolescência, é mesmo a Acne vulgaris. Mas são numerosas as variedades “acneicas”, justificando uma tentativa de organizar sua classificação.

Não há uma classificação que seja por todos aceita, nos livros de texto encontramos as mais variáveis. Por esta razão tomamos a liberdade de classificar de uma maneira que parece prática. Fizemos a separação destas afeções em grupos: 

 

I — ACNE VULGARIS

II — VARIEDADES DA ACNE VULGARIS

  Acne infantil

  Acne escoriada (“de jeunes filles”)

  Acne tropical

  Acne cosmética

  Acne conglobata

III — ERUPÇÕES ACNEIFORMES

IIIA - ORIGEM EXÓGENA

  Acne cosmética / Acne epidêmica

  Acne ocupacional

  Cloracne / Acne venenata

  Elaioconiose

IIIB - ORIGEM ENDÓGENA

  Acne medicamentosa

  Cloracne / Acne venenata

 

IV — DOENÇAS IMPROPRIAMENTE DESIGNADAS COMO ACNE 

  Acne vermulante (ulerythema ophriogenes)

  Acne rosacea

  Acne varioliforme

V – ORIGEM INCERTA 

  Acne de Mallorca

 

Além de todos esses quadros citados como formas de acne, ainda temos um sexto grupo constituído por outras patologias do folículo pilo-sebáceo, mas com agentes específicos. São portanto foliculites.

VI — FOLICULITES ACNEIFORMES

  Foliculite demodésica (Demodex folliculorum)

  Foliculite pitirospórica (Malassezia furfur)

  Foliculite estafilocócica (Staphylococcus sp)

 

A abordagem de cada um destes processos é diferente, por esta razão foram analisados, separadamente, no ATLAS constante deste site.




Palavras-chave: Acne; Erupções acneiformes; Acne vulgaris and Acneiform eruptions\r\nACNE VULGARIS\r\n