ACNE MEDICAMENTOSA

Inserida em: 07/02/2018

Drug-induced acne

 

ACNE MEDICAMENTOSA

 

Nelson Guimarães Proença

Em 1987 publicamos trabalho de revisão clínica dos casos de acne medicamentosa pessoalmente atendidos, em consultório pessoal, no período 1970-1986 (1). Durante aqueles 17 anos foram acompanhados 66 pacientes com esta afecção folicular, sobre um total de 22890 novas consultas (2,9:1000 novas consultas). Houve franco predomínio no sexo feminino: 3,7 mulheres para cada homem.

O quadro clínico desta forma de foliculite é desencadeado pelo uso sistêmico de um grande número de drogas. Estas drogas desencadeantes variam, conforme a época em que foi feita a observação, variam também de um País para outro. Em nossa casuística, correspondendo ao já citado período, predominou a vitamina B12, com 29/62 casos (43,9%), o que refletiu sua ampla prescrição pelos médicos, na época, para numerosas e diversificadas situações clínicas. Em segundo lugar anotamos os corticoides com 17/62 casos (25,7%). 

O diagnóstico nem sempre foi suspeitado pelo médico que prescreveu a droga desencadeante, daí porque vários pacientes permaneceram com as lesões amplamente disseminadas por vários meses: 18/66 (27,2%) dos pacientes somente após 3 meses de evolução foram consultados e diagnosticados. Os quadros seguintes mostram o grupo de pacientes observados, quais as drogas prescritas e porque foram prescritas.

A maior parte de nossos pacientes — 43/66 ou 65,8% dos observados — não tinham qualquer antecedente clínico relacionado com a acne vulgar. Oito eram jovens com menos de 20 anos de idade, com quadro acneico de pouca intensidade, e 15 tinham história de acne na adolescência, mas nenhuma atividade recente. Portanto, 23/66 (34,8%) tinham constituição propensa à acne.

A erupção acneiforme ocorreu logo nas primeiras esmanas após o in´cio do uso da droga causadora. Quando esta não foi interrompida, a piora foi progressiva. A distribuição das lesões está representada na figura seguinte. Estas lesões foliculares eram sempre eritematosas e papulosas (100%), vesículo-pustulosas (14/66 0u 21,1%), escoriadas e com crostículas hemáticas (7/66 0u 10,6%). Nos pacientes com história anterior ou atual de acne, comedões estavam presentes.

Em alguns pacientes fizemos a biópsia, para melhor documentar os casos, descrevendo os aspectos histopatológicos. 

Conforme já dissemos no início desta comunicação, as drogas causadoras variam de uma época para outra, de um lugar para outro. Pratico o atendimento em consultório na cidade de Campos do Jordão, desde 2007. Nesse período foi feito o diagnóstico de acne medicamentosa em 15 pacientes, interessante foi ainda a predominância de corticosteroides (7/15),  mas um aumento do número de casos induzidos por anabolizantes: 6/13. Isto é uma consequência do aumento da prática de exercícios, em Academias. Nas Fitness há uso frequente de anabolisantes, recomendados por não médicos, com a finalidade de aumentar rapidamente a massa muscular.

 

(1) Proença NG — Acne medicamentosa. An bras Dermatol 1987; 62(5/6) 315-319.







Palavras-chave: Acne medicamentosa; Drug-induced acne; Acne medicamentosa; Drug-induced acne\r\n\r\n