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ANGIOQUERATOMA ESCROTAL tipo FORDYCE

Angioma scroti of Fordyce

ANGIOKERATOMA SCROTALIS typus FORDYCE

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 02/02/2018


CASO 

 O paciente tem 72 anos e comparece à consulta por apresentar “manchas vermelhas” na bolsa escrotal, que estão aumentando em número e tamanho. Informa que as primeiras lesões surgiram entre os 40 e os 50 anos de idade, não sabe informar com maior precisão. Estão crescendo lentamente, algumas, enquanto que outras permanecem inalteradas. Não há qualquer sintoma, nenhum desconforto, mas está preocupado com a possibilidade “de evoluírem para câncer genital”.

As lesões são múltiplas, de aspecto angiomatoso, percebendo-se que há uma relação direta com a rede capilar superficial.











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Um capítulo da Dermatologia, que tem merecido pouca atenção, está relacionado com algumas alterações características da pele da pessoa idosa, representadas pelas hiperplasias cutâneas. Vamos então falar, um pouco, sobre este tema.

O organismo tem mecanismos reguladores que permitem fazer a reposição de estruturas específicas, que necessitam ser substituídas. O exemplo mais fácil de compreender está representado por ferimento produzido em determinado órgão. Sendo feita a detecção do problema, inicia-se o processo de remoção de restos celulares e intersticiais, bem como é dada a ordem de repor o que foi danificado. Tudo se faz através de células do sistema linfo-histiocitário e de mediadores químicos, emitidos por essas células, que sinalizam o que está ocorrendo e mobilizam as respostas competentes. Identificado o problema a ser resolvido e acionadas as respostas necessárias, a reparação se inicia. Ao se completar a reparação a informação chega aos centros coordenadores das respostas e a ordem de parada, é dada. Neste campo não há mistérios, mas, sim, há a busca e o entendimento dos mecanismos envolvidos. De fato, todos os mecanismos da participação celular e de seus mediadores, que sinalizam o binômio iniciar/parar, estão sendo progressivamente desvendados.

Na pele, como de resto em qualquer órgão, há reposições celulares e intersticiais constantemente feitas, ao longo de toda a vida. Vamos dar alguns exemplos. As glândulas sebáceas, do aparelho pilo-sebáceo, são sempre renovadas. Os capilares cutâneos, da derme papilar, também. A papila dérmica, que faz a junção dermo-epidérmica, é quase um “órgão independente”, que regula todo o metabolismo epidérmico e faz o trânsito de informações do sistema imunitário, nos dois sentidos. O acroinfundíbulo, do sistema folicular pilossebáceo, também é constantemente renovado. 

Nos exemplos dados há mecanismos específicos de regulação. E justamente, estes mecanismos, é que começam a ser perdidos, com o avançar da idade. Todas estas estruturas, se não receberem a ordem de “parar a reposição”, vão sofrer hiperplasias.

Isto não ocorre por igual, em todas os idosos. Há famílias em que tais ocorrências representam a regra, e não a exceção. Nestas famílias, vários membros são afetados, com intensidade variável, porém crescente, com a idade.

O angioqueratoma escrotal pode ocorrer já a partir dos trinta anos de idade, mas ocorre com muito mais freqüência em pessoas mais idosas. Ele é observado ao longo dos trajetos capilares da bolsa escrotal. Há pacientes que os tem às dezenas, mas o mais comum é um número mais limitado de lesões. 

O aspecto histopatológico é típico, notando-se uma epiderme de espessura irregular, com cristas epiteliais por vezes alongadas e fusionadas. Nas papilas e na derme superficial uma proliferação angiomatosa, de aspecto absolutamente benigno.

O tratamento é fácil, tradicionalmente realizado com eletrofulguração. Um tratamento igualmente eficaz, porém mais oneroso, pode ser feito com laser.


Palavras-chave: Angioqueratoma escrotal tipo Fordyce, Angiokeratoma scroti of Fordyce, Angiokeratoma scrotalis