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ANGIOMA RUBI

Angioma senilis

Angioma senilis

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 01/02/2018


CASO (12652)

Paciente do sexo masculino, 67 anos, branco, comparece à consulta por estar com numerosas “verrugas” no pescoço e no tronco. A cada ano sção em maior número, e também aumentam de tamanho.

São lesões vasculares característica, do chamado angioma rubi.







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Um capítulo da Dermatologia, que tem merecido pouca atenção, está relacionado com algumas alterações características da pele da pessoa idosa, representadas pelas hiperplasias cutâneas. Vamos então falar, um pouco, sobre este tema.

O organismo tem mecanismos reguladores que permitem fazer a reposição de estruturas específicas, que necessitam ser substituídas. O exemplo mais fácil de compreender está representado por ferimento produzido em determinado órgão. Sendo feita a detecção do problema, inicia-se o processo de remoção de restos celulares e intersticiais, bem como é dada a ordem de repor o que foi danificado. Tudo se faz através de células do sistema linfo-histiocitário e de mediadores químicos, emitidos por essas células, que sinalizam o que está ocorrendo e mobilizam as respostas competentes. Identificado o problema a ser resolvido e acionadas as respostas necessárias, a reparação se inicia. Ao se completar a reparação a informação chega aos centros coordenadores das respostas e a ordem de parada, é dada. Neste campo não há mistérios, mas, sim, descobertas a serem feitas. Todos os mecanismos celulares e de mediadores, que sinalizam o binômio iniciar/parar, estão sendo progressivamente desvendados.

Na pele, como de resto em qualquer órgão, há reposições celulares e intersticiais constantemente feitas, ao longo de toda a vida. 

Vamos dar alguns exemplos. As glândulas sebáceas, do aparelho pilo-sebáceo, são sempre renovadas. Os capilares cutâneos, da derme papilar, também. A papila dérmica, que faz a junção dermoepidérmica, é quase um “órgão independente”, que regula todo o metabolismo epidérmico e faz trânsito de informações do sistema imunitário, nos dois sentidos. O acroinfundíbulo, do sistema folicular pilossebáceo, também é constantemente renovado. Todas estas estruturas, se não receberem a ordem de “parar a reposição”, vão sofrer hiperplasias.

Nos exemplos dados há também mecanismos específicos de regulação. E justamente, estes mecanismos, é que começam a ser perdidos, com o avançar da idade. Isto não ocorre por igual, em todas os idosos. Há famílias em que tais ocorrências representam a regra, e não a exceção. Nestas famílias, vários membros são afetados, com intensidade variável, porém crescente, com a idade. Nestes casos, falhando os mecanismos de controle, ocorrem hiperplasias, clinicamente bem caracterizadas.

É exatamente esta a explicação para o “angioma rubi”, que na Nomina Dermatologica é designado como angioma senilis. São lesões vasculares, nada mais do que um simples ponto, ao se iniciarem, mas que crescem com o passar do tempo, transformando-se em pápulas angiomatosas. Com a manobra da vitropressão há esvaziamento total da lesão angiomatosa. Seu diâmetro não ultrapassa os dois ou três milímetros, mas, quando as lesões são muito abundantes, podem chegar a cinco milímetros ou mais e, até, a se tornar pedunculadas.

Do ponto de vista histológico é uma hiperplasia capilar. Destaque-se que em nada é semelhante ao lago venoso, do lábio, pois este é unilocular.

 


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