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ALOPECIA AREATA NA INFÂNCIA

Childhood Alopecia areata

ALOPECIA AREATA INFANTUM

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 22/05/2019


 

CASO 1 (02799)

 

É trazida à consulta uma menina de apenas 11 meses de idade. A mãe informa que há 2 meses teve infecção respiratória e febre elevada (40º C) e logo após surgiram “falhas” no couro cabeludo. Nas últimas 48 horas ocorreu queda súbita e muito intensa dos cabelos (1ª. Foto). Nos 3 meses que se seguiram à consulta evoluiu com infecção respiratória recidivante, ocorrendo agravamento progressivo da alopecia (2ª. Foto). Foi tratada com creme de antralina a 0,75%, suavemente friccionado à noite, 3 vezes por semana, durante 1 ano. Como a recuperação foi muito lenta, a partir do início do terceiro ano de vida foi acrescentada betametasona oral (0,5 mg/dia), com boa recuperação após 6 meses (3ª foto).









CASO 2 (00871)

Menino de 2 anos consulta e a mãe informa que apresenta áreas de queda de cabelos, há 1 mês (1ª. Foto). Foi mudado de classe em sua Pré-Escola e “está estranhando muito seus novos coleguinhas”. Ao exame clínico, além das áreas alopécicas do couro cabeludo foi anotada a absoluta falta de pelufgem, nos membros. houve uma piora nas semanas que se seguiram, o tratamento foi iniciado com minipulso de corticoides (prednisona) associado ao creme de antralina a 0,5%. Como inicialmente houve muita irritação local, este creme foi utilizado 3 vezes por semana, deixado por 3 horas, a seguir removido. O resultado foi muito bom, ocorrendo completa reposição dos cabelos, após 10 meses.









Comentários

No tratamento da alopecia areata, na infância, é necessário introduzir os corticosteroides por via oral. É previsível que haja dificuldade para o tratamento — que deve se estender por vários meses, com tomadas diárias do medicamento — pois surgem sintomas colaterais que obrigam a fazer sua interrupção. Buscando evitar que isto ocorra, por volta de 1980 introduzimos um novo esquema de tratamento, alternativo, para o uso prolongado dos corticosteroides: os “MINIPULSOS SEMANAIS” (1). A comunicação sobre “minipulsos” pode ser consultada neste SITE, na Seção “Dermatologia Baseada em Experiência”.

O tratamento local com aplicações intralesionais de corticoides não é recomendável, em crianças. Como alternativa surgiu a proposta de utilizar preparados tópicos com antralina. Tanto pode ser usada a loção como o creme, sendo praticada uma suave fricção com cotonete, na superfície alopécica. O objetivo é provocar uma resposta inflamatória na pele, a qual irá contribuir para o aumento na circulação do sangue, no bulbo capilar. A 2ª foto de nosso segundo caso mostra bem esta dermatite eritematosa e descamativa, provocada pela antralina.

A princípio utilizamos concentrações de antralina mais baixas — 0,5% — aumentando depois até o limite de 1,0%. Caso a criança seja muito sensível e a resposta inflamatória seja muito desconfortável, o preparado é deixado na pele por apenas 2 a 3 horas, sendo então feita a limpeza para sua remoção. Para que o tratamento tópico com antralina não tenha de ser constantemente interrompido, pode ser alternativamente recomendado seu uso apenas 3 vezes por semana.

Há mais um aspecto relacionado ao tratamento, que precisa ser destacado. Pacientes que apresentam alopecia areata com muita frequência precisam receber algum suporte na área emocional. Isto é válido tanto para adultos como para crianças.

 

(1) Proença NG- Corticosteroides por via oral: uso de minipulsos semanais. Comunicação feita na Reunião dos Serviços de Dermatologia de Campinas e Região, em novembro de 2007.


Palavras-chave: Alopecia areata; Childhood; Antralina.