ARQUIVOS TIPO ATLAS

ACRODERMATITE DE HALLOPEAU

Acrodermatitis continua of Hallopeau

PUSTULOSIS ACRALIS CONTINUA

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 23/05/2019


CASO 1 (29181)

Homem branco, 68 anos, há 18 meses com lesão no dedo mínimo da mão esquerda. Iniciou pela extremidade e progrediu em direção à base. Ao exame são incontáveis e minúsculas lesões pustulosas, quase sempre dessecadas, que envolvem todo o contorno do dedo mínimo, tendo ocorrido a perda da unha. Recebeu diversos tratamentos, com resultados parciais e temporários, sempre recidivando: corticoide tópico, metotrexato, colchicina. No seguimento foi observado discreto acometimento de dedos (mínimo direito, anular esquerdo) e, também, lesões psoriasiformes nas regiões retroauricular e genital.





CASO 2 (35988)

Homem branco, 65 anos, há 6 anos com lesões no hálux direito, a seguir também nos dedos indicador e médio da mão esquerda. Perdeu as unhas desses dedos, estas nunca se refizeram. Há melhoras parciais e temporárias com o uso de corticoides tópicos, mas as lesões reaparecem assim que o tratamento é suspenso. 

Biopsia: epiderme com áreas de paraceratose, intensa espongiose e exocitose, com numerosos neutrófilos; derme papilar com intensa ectasia vascular e infiltrado linfocitário.

Foi tratado com metotrexato intramuscular associado a corticoide tópico, com melhora apreciável nas duas primeiras semanas, a seguir recidiva completa. Como tinha ácido úrico elevado foi prescrito MTX associados ao alopurinol (100 mg/dia) com surpreendente resultado. Manteve-se bem nos 2 meses que se seguiram, mas não retornou.





Comentários

Primeiro vamos recordar a Psoríase em Placas. Ao se fazer o exame anátomo-patológico das placas, invariavelmente vamos encontrar a presença de infiltrado inflamatório rico em neutrófilos. Destaque-se que, na maioria dos pacientes, a quantidade de neutrófilos que está presente na lesão não é suficiente para ganhar uma expressão clínica, isto é, para formar uma pústula clinicamente identificada.

Mas há muitos casos em que o acúmulo de neutrófilos é de tal ordem que, já ao exame clínico, são evidentes as pústulas, na pele. É aqui que passamos a falar de PSORÍASE PUSTULOSA. As pústulas tanto podem estar relacionadas com as lesões em placas da psoríase, como também podem estar inteiramente individualizadas.

São vários os quadros clínicos de psoríase pustulosa que podem ser catalogados, eles estão relacionados na mais recente edição de Rook’s – Textbook of Dermatology (1).

CLASSIFICAÇÃO DAS PSORÍASES PUSTULOSAS

I — Psoríase Pustulosa Generalizada

* Psoríase Pustulosa Generalizada Aguda de Von Zumbush  

* Psoríase Pustulosa Subaguda Anular e Circinada 

* Psoríase Pustulosa Generalizada Aguda da Gravidez: Impetigo Herpetiforme 

* Psoríase Pustulosa Generalizada Infantil e Juvenil

II — Psoríase Pustulosa Localizada 

* Pustulose Palmar e Plantar 

* Acrodermatite de Hallopeau 

“Sur une asphyxie locale des extrémités avec polydactylite suppurative chronique et poussées éphéméres, de dermatite pustuleuse, disseminées et symmetriques” – Hallopeau H; Ann Dermatol Syphiligr 1890, 1: 420.

Acrodermatite de Hallopeau é muito rara, casos novos são esporadicamente registrados na literatura médica. É de curso extremamente crônico, resoluções espontâneas são relatadas, mas com recidiva. Tratamento específico não há, mas há relatos esporádicos de recuperação, com diferentes medicações. O Caso 2 respondeu bem à associação metotrexato/alopurinol, mas o paciente não pôde ser acompanhado por um tempo maior. 

(1) Burden D & Kirby B — Pustular Psoriasis. In Rook’s – Textbook of Dermatology, Chapter 35: 35.32 – 35.42, Ninth Edition, 2016.


Palavras-chave: Acrodermatite de Hallopeau; Acrodermatitis continua of Hallopeau; Pustulosis acralis continua.