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ACNE FULMINANTE

Acne fulminans

ACNE FULMINANS

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 01/02/2018


CASO 1 (15189)

Um rapaz adolescente, com 15 anos de idade, cor branca, vem à consulta acompanhado de sua mãe, no ano 1974 (antes, portanto, da introdução da isotretinoína). Sua acne havia se iniciado um ano antes, tornando-se mais intensa nas duas semanas que precederam a consulta. Inclusive teve febre de até 38 graus, nos dias recentes. Queixou-se também de dores em joelhos e na coluna vertebral. Foi diagnosticada acne grau III para IV, sendo medicado com tetraciclina e medicação tópica. Retornou após 3 semanas, com incrível agravamento da acne, astenia, emagrecimento de 6 quilos, acentuação das dores articulares. Só então foi feito o diagnóstico de Acne fulminans.







CASO 2 (24297)

Um menino de 14 anos, em início de adolescência, informa que tem acne desde os 13 anos. Quatro semanas antes da consulta iniciou súbita piora da face, lesões também no tronco, acompanhada de dores articulares e febre. No momento do exame clínico a temperatura era de 37.5º C, edema inflamatório e doloroso de ambos os joelhos e tornozelo esquerdo. Neste caso associamos prednisona oral (40 mg ao dia), com remissão rápida do  quadro clínico.

 





Caso 3 (41809)

Caso gravíssimo. O jovem tinha 18 anos de idade, quando consultou. Sua acne se iniciara aos 15 anos, com moderada intensidade, mas, quatro meses antes da consulta, teve piora progressiva, com abcessos, ulcerações e lesões cicatriciais desfigurantes. Também febre elevada, perda de peso (5 quilos), dores intensas em joelhos. 

Foi caso de extrema dificuldade para controle, respondendo mau a antibióticos e isotretinoina. Inclusive o retinóide provocou perda de memória, sendo suspenso. No terceiro de qacompanhamento tentou o suicídio.





Comentários

Esta é uma variedade incomum da acne. Ao longo de meio século dedicado à Dermatologia, atendi milhares de pacientes com acne vulgar, mas apenas seis tinham a forma fulminante. São casos dos quais o dermatologista jamais se esquece, exatamente por sua gravidade. 

É uma afecção característica do sexo masculino. A maioria dos casos ocorre no início da adolescência, são pacientes com quatorze ou quinze anos de idade. Após um início mais leve ou moderado, as lesões inflamatórias mais graves surgem de um modo explosivo, calamitoso, levando a graves sequelas cicatriciais.

A infecção do folículo pilossebáceo é banal a princípio, mas logo desencadeia uma reação imuno-alérgica de terríveis consequências. Há vários estudos que procuram demonstrar que é o próprio Propionibacterium acnes o desencadeador da reação, atuando sobre um organismo especialmente predisposto e que responde de um modo excessivo, descontrolado.  Esta reação é catastrófica e envolve, além do grave acometimento cutâneo, também um conjunto de sintomas gerais, sobretudo para o lado das estruturas articulares. Edema e dor são comuns. 

O tratamento obrigatório da acne fulminante é com corticosteroides, associados ao tratamento clássico da acne. Pode ser usada a prednisona, em dose inicial de 40 a 50 mg/dia. Em geral a resposta é satisfatória e se dá em poucas semanas. Mas as cicatrizes são sempre desfigurantes.


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