ARQUIVOS TIPO ATLAS

ACNE ESTIVAL de MALLORCA

ACNE AESTIVALIS typus MALLORCA

Acne aestivalis of Mallorca

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 01/02/2018


CASO 1 (30912)

Uma jovem de 23 anos consulta em março, uma semana após ter retornado de férias de verão. Informa que surgiram “pontos vermelhos”, não pruriginosos, no pescoço, ombros, tórax anterior e posterior. Informa também que isto já ocorreu em verões anteriores, sendo a erupção sempre relacionada com exposição ao sol. Em seus antecedentes destacou-se a informação de ter bronquite desde a infância, já tendo ocorrido acne medicamentosa provocada por xarope de iodeto de potássio. Ao exame as lesões eram foliculares, mas sem formação de comedões. A paciente foi tratada, recuperou-se, foi então orientada para se expor ao sol, durante dois dias. Ao retornar havia reaparecido a erupção cutânea, tendo sido biopsiada.









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Na segunda metade do Século XX — a partir da década dos anos sessenta — tornou-se habitual que a população dos países nórdicos da Europa procurassem passar suas férias de verão no Sul de Espanha. As praias de Mallorca se tornaram atrativas, para lá foram multidões. As pessoas de pele clara retornavam a seus países apresentando uma erupção acneiforme, distribuída pelo pescoço, alto do tronco e raízes dos membros superiores. A primeira publicação a respeito do tema foi feita em 1972 pelo Finsen Institute, da Dinamarca (1). Logo se sucederam outras comunicações, feitas por autores noruegueses, suecos, holandeses, no mesmo sentido. Em torno de 90% dos casos eram de pacientes do sexo feminino.

 As lesões são nitidamente foliculares, mas não há formação de comedões. São pápulas eritematosas, sem formação de pústulas. Apenas uma fração das pacientes refere história de acne, na adolescência. A maioria dos acometidos teria usado fotoprotetores, mas há uma parcela dos mesmos que não refere seu uso.

Pela histopatologia fica caracterizado um microcisto do infundíbulo, sendo sua parede espongiforme. O infiltrado inflamatório é discreto, ou moderado, mononuclear.

Os tratamentos habitualmente propostos para acne não dão resultado, nesta forma de foliculite. Não obstante, sua evolução é sempre bastante favorável, embora a recuperação espontânea possa se dar em até dois meses.

(1) Hjorth N; Sjolin KE; Sylvest B; Thomsen K – Acne aestivalis, Mallorca acne. Acta Dermatovener 1972, 52: 61-63.


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