ARQUIVOS TIPO ATLAS

ACNE CICATRICIAL ANETODÉRMICO

Acne with secondary anetoderma

ACNE ET ANETODERMA

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 01/02/2018


CASO 1 (05188)

Este paciente é do sexo masculino, 21 anos de idade, apresenta acne desde os 15 anos. Fez tratamento e melhorou, passando bem até os 20 anos. Desde então houve recidiva, com piora progressiva e quadro clínico bem mais grave do que o anterior, da  adolescência. Ao exame, acne grau III, com muitas lesões nodulares supuradas, na face, no dorso e na região do esterno. O paciente foi tratado com isotretinoína e teve excelente recuperação, após 6 meses, ficando perfeitamente controlado. Restaram, porém, numerosas cicatrizes anetodérmicas.







CASO 2 (42095)

É um rapaz de 25 anos de idade, informa ter iniciado sua acne aos 15 anos. Esta foi bastante intensa até os 20 anos, mas sempre esteve sob tratamento, com dermatologistas. As lesões se tornaram bem menos frequentes nos últimos anos, agora consulta por apresentar queloides cicatriciais nos ombros.

Ao ser examinado foram efetivamente encontrados queloides no ombro, mas também numerosas lesões cicatriciais ovaladas, pouco perceptíveis. Tais lesões cicatriciais se acentuavam muito ao se fazer a aproximação manual, da pele. Com esta aproximação, as cicatrizes se tornavam salientes, confirmando seu aspecto anetodérmico.







CASO 3 (41340) 

Este caso é de um adolescente de 14 anos, com  acne desde os 12 anos. Muito intenso, grau III, com forte tendência à formação de cicatrizes anetodérmicas, no dorso. 

Neste paciente fizemos estudo histopatológico, ficando demonstrada a fragmentação e desaparecimento de fibrilas elásticas na derme (coloração pela orceína).







Comentários

Anetodermia é um processo degenerativo da derme, levando à fragmentação e desaparecimento dos feixes fibrilares elásticos aí existentes.  Este processo pode ser Primário (ver o item Anetodermia) ou Secundário. Clinicamente o que se nota é uma área de pele com aspecto cicatricial, atrófico, circular ou ovalada, mas que se torna elevada quando fazemos uma pressão lateral a ela.

Quem descreveu com propriedade as características clínicas da lesão foi o Professor Braulio Sáenz, de Cuba, no já distante ano de 1953:

“Ao nível das lesões a pele aparece saliente, abaulada, a epiderme finamente enrugada. Ao se palpar a sensação é de uma casca de uva, uma uva vazia. O abaulamento desaparece e o dedo penetra em uma depressão, em uma verdadeira cavidade hipodérmica. A suavidade desta lesão contrasta com a resistência que se sente ao tocar suas bordas” (1).

É isto, ao se palpar com a ponta do dedo tem-se a impressão de um orifício herniário. As fotografias que ilustram esta apresentação mostram claramente a manobra clínica que é preciso fazer, para provocar o ressalto da derme, acima do nível da epiderme.

Em nossa experiência as cicatrizes dorsais de acne são a forma mais comum de anetodermia secundária. Apesar de frequentes, não tem sido citada na literatura.


Palavras-chave: Acne cicatricial; Anetodermia, Acne, Anetoderma, Acne, Anetoderma